Boquiaberto

Discutindo propagandas polêmicas

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Pílula do dia seguinte na TV

Publicado por boquiaberto em 28/04/2009

Nesse caso, o produto já torna a propaganda polêmica. Se a Igreja já condena o uso da camisinha, que dirá da pílula do dia seguinte. Ela  é considerada abortiva pelos cristãos, mas há quem diga que ela é um método anticonceptivo como outro qualquer.

No último dia 23,  foi veiculado na Inglaterra um comercial da Bayer com o objetivo de promover o  Levonelle One Step (que é uma pílula do dia seguinte). O VT tem estética de desenho e narra a história de uma garota que decide tomar a pílula após a camisinha ter estourado na sua última relação sexual.

Esse foi o primeiro comercial sobre pílula do dia seguinte veiculado na Inglaterra, mas publicidades desse mesmo tipo de medicamento já causaram polêmica na Índia e na Costa Rica, por exemplo.

Apesar da veiculação só ser permitida após às 21h, pais e religiosos fizeram uma avalanche de críticas ao comercial: a pílula é abortiva, as adolescentes veem TV nesse horário, esse tipo de informação pode aumentar a promiscuidade entre jovens etc. Outra crítica feita é a falta de informações sobre as consequências de tomar esse medicamento de forma frequente e a banalização do uso de um remédio que é apenas emergencial. Uma preocupação é que as pessoas passem a utilizar a pílula e deixem de usar camisinha – o que aumenta o risco de se contrair DSTs.

Legalmente, a empresa pode anunciar o produto, como diz a nova lei inglesa que permite a veiculação de publicidades de camisinha e clínicas abortivas. A companhia e seus defensores dissem que o comercial pode ajudar muitas mulheres que não sabem o que fazer quando a camisinha estoura ou a mulher deixa de tomar a pílula anticoncepcional por algum motivo ou mesmo em casos de estupro.

O debate abrange religião, o próprio produto e o direito a informação. Não pretendo discutir aqui dogmas religiosos ou mesmo se a pílula do dia seguinte é abortiva ou não. Mas acredito que um ponto fraco do VT é a falta de informações sobre as contra-indicações do medicamento.

Além disso, vale lembrar que usar camisinha é importante sempre – com ou sem pílula do dia seguinte.

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PETA e o holocausto

Publicado por boquiaberto em 23/04/2009

Que a PETA (People for the Ethical Treatment of Animal, ou em português, Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) tem campanhas controversas e polêmicas, todo mundo sabe. Mas hoje vou falar de uma campanha específica, intitulada Holocaust on your Plate (ou Holocausto no seu prato).

Essa campanha começou a ser veiculada por volta de 2004 nos Estados Unidos e depois foi adotada pelo braço da PETA na Alemanha. E foi justamente nesse país que começou a polêmica. Os banners colocam lado a lado fotos de judeus em campos de concentração e animais enjaulados e/ou sendo preparados para o abate e compara as mortes ocorridas durante o holocausto com as que acontecem com os animais todos os dias. A corte germânica proibiu a veiculação das peças, por compreender que elas desrespeitam a imagem dos judeus ao compará-los com animais. PETA vai recorrer da decisão.

Algo interessante de perceber é que apenas a Alemanha proibiu a utilização dos banners. Isso porque a relação dos alemães com o holocausto é mais visceral que a dos Estados Unidos, por exemplo. A polêmica não acontece apenas pela mensagem, mas pelo contexto em que ela se insere.

Uma das discussões geradas é sobre a legitimidade da proibição dos banners: a propaganda está protegida pela liberdade de expressão, mas até que ponto essa proteção é válida? Outro ponto é se essa comparação é realmente ofensiva aos judeus: nesse texto, Rafael Bán Jacobsen (judeu e vegano) explica como ela surgiu e defende sua utilização. O site holocausto animal também defende essa idéia e chegou a veicular uma campanha parecida com a da PETA, mas utilizando imagens de escravos no lugar dos judeus. Por outro lado, parte da comunidade judaica que não conhece ou não apóia a causa animal pode se sentir mal com a campanha e julgar que ela banaliza o tema.

Qualquer imagem dos campos de concentração já é chocante e a PETA sabia disso quando decidiu utilizá-las – em seu histórico, há diversas ações polêmicas. A intenção deles é chocar e assim fazer com que as pessoas pensem a respeito do tema. Nesse ponto, a campanha foi muito bem-sucedida (assim como outras dessa organização). Mas ao seguir essa linha de comunicação, é inevitável que alguns grupos se sintam ofendidos: é o preço que se paga pela polêmica.

Clique nos links da wikipedia (em inglês) para saber mais sobre a PETA e sobre a campanha.

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Em nome do Pai

Publicado por boquiaberto em 07/04/2009

associacao-de-policiais-gays1Falar de religião atrai polêmica e discussão. Pior ainda se a religião em questão for associada à homofobia e violência. Foi exatamente isso que o anúncio da Associação de Policiais Gays fez.

O texto do anúncio diz que aumentou em 74% o número de crimes e incidentes homofóbicos com motivação religiosa e lembra que a homofobia, seja na forma de violência verbal, física ou discriminação no ambiente de trabalho, é ilegal. A assinatura diz que a homofobia não pode ser justificada nem tolerada. Além disso, há a foto de uma bíblia e de uma poça de sangue ao lado.

A BBC anunciou que essa peça foi a campeã de reclamações à ASA (agência responsável por regular a publicidade britânica) em 2006, com 553 reclamações. A Scotland Yard nega que os números citados sejam oficiais. A ASA proibiu a veiculação do anúncio, aceitando o argumento das reclamações.

A discussão a respeito da aceitação da temática homossexual em peças publicitárias permanece. Assim como a premissa de que futebol, política e religião não se discutem.

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